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sexta-feira, janeiro 28, 2011

No tempo do beijo




Já passou pela experiência de sonhar com um brilho vindo de longe? É um clarão que te atrai para um túnel sem fim. Aconteceu comigo e quase, quase ouvi uma voz me chamando: Venha pra a luz! Mas acordei e dei de cara com a televisão do quarto ligada. Era de madrugada, e o maridofe, sem sono, seguia atentamente um programa de televisão. Adivinhe qual?

-      BBB!
-      Não, tá frio!
-      Fala que eu te escuto!
-      Ih, gelou.
-      Só pode ser um filminho de sacanagem.

Ficou morno, por um fio acertava. Era o Sex Therapy. Uma doutora prometia resolver todos os problemas do casal com um simples conselho. Você deve beijar o seu companheiro (a) por um minuto pelo menos três vezes ao dia. Juro por todos os santinhos que essa flor eu não colhi em nenhum dos campos férteis da minha imaginação. Sei dos meus limites, e não iria tão longe com o embuste.

Alguém está gritando. Lá vem ela com a esculhambação. Calma. O conselho é bem simpático, mas parece tão convincente quanto aquelas publicidades se você ligar agora levará não 1 mas 15 cremes Alisa Derm. E cá entre nós, depois de alguns anos de casamento o beijo durante o dia é só uma extensão do cumprimento. Oi! Smack! Tchau! Smack!  E à noite é a senha pra furunfar. Você tasca e ele Oba, hoje tem!

Para minha total estranheza, o maridofe quis pôr em prática a sugestão. Na manhã seguinte, na hora de se despedir.
            - O que você acha? Poderíamos tentar.
            - Se você quiser.
            - Então tá, sessenta segundos e depois vou trabalhar.
- Pode vir que eu tou pronta.
- Mmmmmmmmmmmmm!!

Um, dois, três, quatro...
            - Com a língua caramba!
            - Desculpa, desculpa, vamos lá, de novo.
            - Mmmmmmmmmmmmm!!! Slurp, slurp!
Aqui passamos para a esfera do pensamento:
- (Acho que ouvi o pequeno Taz chorar).
 - Mmmmmmmmmmmmm!!! Slurp, slurp!
- (Não posso esquecer de encher o tanque do carro).
-  Mmmmmmmmmmmmm!!! Slurp, slurp!
- (Será que já deu 1 minuto?)
- Mmmmmmmmmmmmm!!! Slurp, slurp!
            - Que foi? Ainda faltam vinte segundos.
            - Tudo isso? 
- Da próxima vez, coloco um reloginho.
            - Ok!
            - Tchau, tô atrasado!
  - Smack!

sábado, janeiro 22, 2011

Efeméride de hoje



Na mesma pesquisa inglesa descobriram (Ohhhhhhhhhhhhhh!) que quinta-feira é o dia preferido da semana para os casais brigam. Não explicaram como chegaram a essa conclusão. Aqui em casa, reservamos o sábado para comemoramos nosso esporte preferido: o bate-boca. É quando passamos mais tempo juntos. No domingo almoçamos na casa da sogrete e gastamos um tempo considerável fazendo o social com os parentes.

O sabadão sertanejo é marcado com um X bem redondo (????) na folhinha pois nesse dia dá mais pendenga que chuchu na cerca. O maridofe tá em casa e colho a ocasião para cobrar os reparos domésticos e insistir que Papai Noel está exausto de escalar o telhado. Mas um pouco ele vai gritar: Ou me tirem daqui ou denuncio vocês por atentado violento ao pudor. É uma vergonha que as portas de fevereiro ainda conservem a decoração natalícia.

Final da tarde, vamos fazer supermercado e o alarme de estresse já disparou 600 vezes e anuncia que continuará aceso. Tento lembrar quando foi que joguei pedra na cruz pra merecer um fiscal no meu encalço cronometrando meus passos. Precisa ler a etiqueta de cada um dos produtos? Que demora pra escolher um tomate, dava pra plantar e colher duas safras! Só por curiosidade, quantos supérfluos ainda pretende colocar no carrinho?

À noite, o jantarzinho a dois ficou num passado longínquo e o máximo do romantismo que se vê na minha sala é o beijo da novela. O pequeno Taz tenta pela décima vez quebrar o último jarro que sobrou e algo parecido com um ser humano se joga no sofá escravizando o controle-remoto.

Enfim, descanso sabático? Não conheço o senhor. Muito prazer, sou a Bobry.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Vocês viram?



Pesquisa na Inglaterra mostra que casais brigam 312 vezes por ano. Tem alguma coisa errada. O total de dias correspondente a esse período não são 365 dias? Na minha conta ainda estão faltando 53 arranca-rabos.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Das duas, nenhuma


Maníaca conjugal. É aquela que morre de medo que seu casamento ande mal das pernas. Pratica o sincronismo religioso se protegendo dos maus-olhados com um santinho de São Rafael Arcanjo e dois vasos aberrantes na porta da casa com 15 quilos de sal grosso cada um. Prevenida, guarda na bolsa uma boia inflável em forma de coração pronta pra ser usada ao menor sinal de que a paixão está afundando. Não espera nem que se complete às 10.000 horas de uso exigidas para uma crise matrimonial decente.  Corre em busca de livros de autoajuda e testes de autoconhecimento. Fica feliz quando faz 120 pontos no “Você é uma boa esposa?”, mas se deprime com as perguntas do “Que tipo de mulher você é na cama?”.

Essa preocupação excessiva com a saúde da vida a dois é típica da minha amiga S1. Não pode nem ouvir falar em matrimônio desgastado ou rotina massacrante que faz o sinal da cruz, bate na madeira e esconjura: pé de pato, mangalô, três vezes. Há muito que perdeu o contato com a realidade intoxicada com a cor rosa do seu mundinho. Quando alguém começa a desfiar o rosário de lamentações sobre o marido, ela pede licencinha e vaza pela tangente, porque fracasso é contagioso.  Seu lema é: casei e daqui ninguém me tira.

Diferente da sua irmã S2. que nem se dá conta de que é casada. Continua a fazer sua vida de baladeira e está se lixando para quem ficou em casa. Nos seus cromossomos falta um gene que determina a formação do sonho “Felizes para sempre”. O distúrbio lhe provoca indiferença a qualquer crise ou debilidade do relacionamento.  Mas o melhor é que também paralisa os músculos e nervos do rompante feminino. Ela não chora, não se descabela e muito menos se sente o bicho da goiaba. No momento de um arranca-rabo, sua única intervenção se resume ao Vai se fuder  e ativa o stand by para permanecer só de corpo presente mas com a mente em outra galáxia.

Observando esses dois extremos da insanidade, percebo que me encontro a uma distância razoável da loucura.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Conselhos sentimentais de Julia Roberts


Meu namorado me pressiona pra casar. O que fazer?
Considerar, recuar, abandonar.

Como aturar minha sogra que é uma cobra?
Fingir, esquivar, imunizar.

Acho que ele tem outra. Que atitude devo tomar?
Sondar, esbanjar, revidar.

Como obrigá-lo a demorar mais nas preliminares?
Sacanear, ameaçar, pagar.

Depois que eu dei, ele nunca mais me ligou.
Xingar,  danificar (o carro dele), dar (pra outro).

O que faço pra mudar o meu marido?
Desistir, conformar, navegar (nesse blog).

segunda-feira, setembro 27, 2010

Mi casa e tu fora de casa


Aviso aos navegantes: Pedimos gentilmente à clientela que é alérgica a clichês de se afastar velozmente desse texto. Decidindo continuar, é por sua conta e risco.


Durante um combate é comum uma dos oponentes recorrer ao famoso “os incomodados que se mudem” para derrubar o adversário.  O golpe é usado principalmente pela parte que é em nítida vantagem patrimonial. Atingido no seu orgulho, o rival demora alguns segundos para se recompor e prosseguir na luta. Nesse ínterim lhe passa pela mente o que acontecerá se fizer da porta da rua a serventia da casa.


Vejamos as opções: voltar para casa dos pais? Os que passam pela experiência de chamar um lar doce lar de meu, dificilmente querem voltar para um lar doce lar teu. Ou pior: a figura opressora masculina também se encontra atravessando a outra porta. Aluguel sozinha? Pode ser, deixando de se alimentar três vezes por semana. Se não tiver filhos há a possibilidade de compartilhar um apartamento com uma amiga. Montar uma república nessa idade­? Que embaraçante!


Diante de uma possível derrota, o lutador deve agir rápido. Saca logo a arma disponível: o novo código de direito civil. Separação total de bens, pensão alimentícia, pacto antenupcial, blá, blá, blá... um pouco de astúcia não faz mal a ninguém. Com isso, a discussão se prolonga até tarde e o corpo-a-corpo atinge outro nível. O importante é desviar a atenção do inimigo do campo de batalha: a nossa casa.
Moral da história: Botar pra fora é um lugar comum e sem graça. Quer pegar essa estrada? O caminho pode não ter volta. Quem avisa amigo é.

sábado, setembro 25, 2010

Ser ou não ser serena?



Hoje é meu aniversário.  Fiz trinta e uns. Pausa para reflexão... um, dois, três. Basta! Mais um número e dobro a esquina da depressão. Como evitar pensamentos nefastos nessa época? Implique com o seu marido. Descarregue nele toda a sua frustração por não ter se tornado superpoderosa. Ano passado fiz isso e passei a data em brancos e lisos lençóis. Como não gosto de me repetir, em um momento de lucidez farei uma trégua na guerra. Juro que só por hoje deixarei de lado o sarcasmo e a impaciência.  Por um dia não brigarei.

Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras.

A promessa não dura meia hora. É suficiente ir ao banheiro e ver que a descarga ainda continua quebrada.  Faz uma semana que faço a caca com um balde do lado. Ninguém merece! Quando Deus criou a mulher disse: você suportará todas as dores da maternidade, e você, homem, pra não se sentir inútil consertará todos os buracos da casa. É um pecado que meu marido não leia a bíblia, prefere dormir nos seus momentos de folga.

Assim, quando o seu sono já estiver bastante reparado poderá dizer até breve a sua preguiça e pegar a caixa de ferramenta. Oh, como sou desastrada, não consigo lavar a louça sem fazer barulho! Que pena que acordou! Trimmmmm!! Começou a queda de braço pra decidir quem irrita mais o outro. No meio do bate-boca saco a arma fatal que pesa na consciência: Logo hoje você quer discutir comigo? Não precisei nem chorar.
...
É noite e meu aniversário está quase acabando. Pergunta pertinente: ser ou não ser serena? Depende, na vida tudo é relativo quando se trata de pipi e otras cositas mas.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Beleza põe firmeza

Meu marido não faz o ciumento escancarado, daquele que carrega nas perguntas. Onde você foi? Com quem? Quantos homens tinham lá? Esse é o tipo que as minhas amigas escolheram pra casar. O meu, a desconfiança transparece no olhar. Não pense que estou dormindo. Tô com um olho aberto e outro fechado. É dessa maneira que me está fixando agora, enquanto escrevo. É suspeitoso do tempo que passo no computador, mas não desce um degrau do seu orgulho para saber o que estou fazendo. Prefere o ataque sutil, como na vez em que disse que meu aspecto estava desagradável à vista. Amor, até os olhos querem a sua parte. Não quer também um soco no meio?

Penso que a beleza não traz só sensações prazerosas para a companhia do lado, ela também faz triunfar até o fracasso mais presumível. Essa reflexão me veio em mente depois que fui à festa de uma antiga colega de escola. I. era uma garota que passava longe da graciosidade. A falta de charme lhe fazia ser esnobada pelos meninos e humilhada pelas meninas. Piada maldosa da época: só em duas ocasiões o padre lhe dirigirá a palavra, batizado e funeral. Ninguém apostaria um centavo que um dia I. atravessaria a igreja vestida de branco. Qual não foi a minha surpresa ao receber o seu convite de casamento.

Por que alguém que eu não via há quase duas décadas me chamaria para sua cerimônia de matrimônio? Fiquei intrigada com esse pensamento até ver o noivo. Pense num moço bonito. Agora multiplique por cem. Uma pãozinho doce. A estaca de firmeza que segura qualquer relacionamento. Finalmente a menina feia conseguiu atrair todos os olhares de cobiça que nunca tinha recebido. Bem, o alvo não era propriamente ela, mas quem se importava?

Muitas mulheres se importavam. A que encontrei no banheiro feminino espirrava veneno: Meu primo já ficou com ele. E daí? Minha colega I. nunca foi ciumenta.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Mulher macho, sim senhor!



A grande questão do momento não é “por que não encontro o amor da minha?” ou “por que ele não me ama?”. O que tem estufado os bolsos dos analistas é “por que não ponho um ponto final nessa história?”. Por que? Por que?

Eu fui a última das minhas amigas a se casar. Na verdade, praticamente me obrigaram. Não que eu faça parte de uma família arcaica e nem estava grávida. Digamos que precisava regularizar uma situação. Outro dia entro em detalhes  E com isso vivi  todas as crises matrimoniais das minhas queridas amigas. Traição, violência, dinheiro (a falta dele). Cansei de ver elas se debulharem em lágrimas na minha frente. E quando pensava que tinham chegado ao fundo do poço, elas cavavam mais ainda só pra ver o que tinha embaixo. Eu, na minha santa ignorância, aconselhava: separa, vai viver sua vida. Crente que elas estavam decididas, me despedia pensando que uma solteira ressuscitava.

Dias depois, e aí como foi? Ah, tá tudo bem. Como tá tudo bem? Como era frustrante, ninguém seguia meu conselho! Qual mistério existia entre aquelas paredes que fazia apagar toda a mágoa, secar as lágrimas e desfazer as malas? Bem, quando você casar, vai saber. E cá estou eu, escrevendo esse blog.
Será que nós, mulheres, não somos “macho” o bastante?

Isso me faz lembrar de B. A esteticista que fazia minha depilação. Era sócia do marido no salão. Mas ele a tratava como uma serva.  Humilhava a bixinha na frente de todos os clientes. E ela, toda sorridente me arrancando os pelos. Eu pensava comigo, essa aí suporta tudo.  Até que um dia, quando volto pro ritual completo: barba, cabelo e bigode. B. não trabalha mais aqui. Então, tchau e bença. Entre a curiosidade e a necessidade, fui encontrá-la num esquálido salãozinho de um bairro pouco seguro. Desta vez, a depilação se fez com lágrimas. Não minhas.  "Saí de casa e em uma semana ele tirou meu nome do salão, pediu a guarda da minha filha e colocou uma sirigaita no meu lugar. Perdi tudo, queria voltar, mas ele não aceita."

Foi a última vez que a vi. Logo mudei de cidade. Adivinha por quem?
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