sexta-feira, dezembro 30, 2011

Taz aprendendo o alfabeto!



- A letra "o", a letra "o"!

- Onde você tá vendo a letra "o"?

- No olho da mamãe!

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Que fineza!



Só hoje pude estrear o presente que o maridinho deu... o novo modelo da Phillips do...Ferro de passar!

domingo, dezembro 25, 2011

Feliz Natal!






Que pérola seu filho soltou essea ano?


- Mamãe, Papai Noel pode vir o mês que vem de novo?


 - Gostou do presente tia? Foi bem baratinho.

 - Não quero dinheiro vovó! Não tinha presente?

terça-feira, dezembro 20, 2011

Regras da Rebeldia




Seu filho também é militante do Movimento de Desobediência Infantil às frivolidades higiênicas?

Não aceita:

Lavar as mãos
Trocar a fralda
Limpar as orelhinhas
Assoar o nariz
Tomar banho

Preocupa não, quando casar passa.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Taz e o inverno


- Mamãe, tô com frio!
- Onde tem frio se você tá todo coberto?
- Na língua!

quinta-feira, dezembro 08, 2011

1...2...3...


Sou tão ansiosa que enquanto caem as 30 gotinhas do meu Calman, depilo a sobrancelha.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

É humilhante...


Qual a primeira coisa que acontece depois que você decide ficar uma semana sem falar com o marido?

Um cano entope.

terça-feira, dezembro 06, 2011

De nariz em pé



Semanas fazendo um curso mas sem coragem pra perguntar uma coisa... esse cheiro cítrico no ar é o perfume de alguém ou o desinfetante do piso?

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Quer rival pior?

Loira, magra e gostosa... E vai deixar seu filho completamente doido por ela.


Adivinhou?

domingo, dezembro 04, 2011

Azul de vergonha!




Sou tão ignorantemente fashion que me perguntaram se estou usando petróleo.
- Sim, ainda.
- Por que? É a cor do momento.

sábado, dezembro 03, 2011

Contando o prejuízo




Primeiro foi o celular dentro do vaso sanitário, depois o display  da câmera fotográfica , as teclas do notebook , sem contar os rabiscos dadaísticos no sofá, nas paredos, na televisão...

Por fim, se superou economicamente ao fechar a água da máquina de lavar no meio de um ciclo. 

Exagero se faço um seguro residencial contra perdas e danos provacados pelo filho?

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Ô língua maldita!



- Ficou muda meu amor, se aborreceu com o que eu disse?
- Magina meu bem, foi só minha glicemia que subiu com sua doçura.

terça-feira, novembro 29, 2011

Melhor ficar quieta.




Ela -Você não é o máximo da gentileza, mas poderia pelo menos responder quando falo?
Ele - Desculpe querida, não estava escutando. Disse algo inteligente dessa vez?

domingo, novembro 27, 2011

À procura de um denominador



- Por que ainda estamos juntos? Não temos nada em comum.
- Quem disse? A gente mora no mesmo planeta.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Que dureza!


Com essa crise, a empresa que mais cresce é a de remendos. Com tanto bolso furado por aí.

terça-feira, novembro 22, 2011

Sábias decisões




Ela - Que aconteceu com aquele seu tio super da paz?
Ele - Virou administrador de condomínio.
Ela - Nossa! E se casou?
Ele - Não, prefere ficar longe de confusão.

Porque não escrevo mais



Não é falta tempo,  de criatividade ou de megabite.

 É somente preguiça!

Porque trabalhar... dá um trabalho !

quarta-feira, novembro 09, 2011

Distribuindo afeto

Uma coisa é certa, pode falar de tudo sobre o Taz. Menos que não seja carinhoso. Hoje deu beijinho até no vaso sanitário.

Insensível também não é, chora até quando o carteiro vai embora.

terça-feira, novembro 08, 2011

Mais uma....





Quando se decide ter um filho é aconselhável abrir uma poupança. Para todas as festinhas de aniversário que ele frequentará. Só essa semana são 3.


                                                           ***
É numa festinha de aniversário que podemos encontrá-la. Mas circula também nos parquinhos, na creche, no shopping. Não sabemos o seu nome, mas basta uma olhada para formamos uma opinião. É a mãe do menininho com o nariz escorrendo. Diante da evidente distração materna, o primeiro instinto é dizer, "senhora, me desculpe interromper, mas o seu filho tá um pouco gripadinho, né?", esperando com isso ter delicamente ajudado alguém. Mas nem sempre a educação é um bom verniz para a cara de pau de meter o bedelho na vida alheia e se arrisca uma deslegante resposta no lugar de um agradecimento.


Entre o sim e o não, é melhor deixar a meleca prosseguir o seu caminho.


Mas essa criatura é uma pessoa negligente, pouco atenta às necessidades de uma criança? Ou o filho pega resfriado até com a brisa do leque e produz catarro em escala industrial? Quem poderá julgar?
 
Só uma mãe de menininho com nariz escorrendo para entender outra. Mesmo que não queria participar desse clube, uma dia te convidarão a entrar nele, ao apontar você e aquele liquido viscoso. E quando revirar a bolsa a procura de um lencinho, não encontrará nem um fiapo. Restará a blusa. A sua, comprada no crediário. Aí sim, será idônea para julgar e ser julgada.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Adivinhação



Taz, às 8:00 da manhã.

- Mamma, há uma soçoca dentro da minha barriga me mordendo.

Depois de uma tremura da cabeça aos pés e meia dúzia de pensamentos horrorosos com imagens de aliens e outros  seres não menos repugnantes crescendo no ventre do meu filho.

-É fome meu amor?
- Simmmmmm!

sábado, novembro 05, 2011

E vivaaaa!!


Próximo de completar 2 aninhos, Taz está tomando lições de Parabéns para você. Ontem à noite, por meia hora treinamos no banheiro enquanto esperavámos o popô chegar. Sentado no vaso sanitário ele batia as patinhas da Finha (girafinha), e eu, no chão, incentivava as duas atividades, a da caca e a da música.

A sua parte preferida é o final, tanto que na segunda estrofe já grita "Viva". Na décima tentativa de fazê-lo cantar toda a letra, ouvimos o aguardado "ploft!"

- Fez uma caquinha amor?
- Non, mamma, era uma cacona! Vivaaa!

quarta-feira, novembro 02, 2011

Sinceramente?




Diante das questões existenciais:
- As respostas estão dentro de você.
- Então doutor, é melhor uma endoscopia, não uma terapia.





- O que você acha da vida?
- Sinceramente? Uma droga! Sou viciada nela.



E o maridofe?
- Pra mim, casamento será uma condenção só depois que permitir as saídas temporárias

quinta-feira, outubro 27, 2011

Atenção: não façam isso em casa.


Não sou a pessoa ideal para aconselhar sobre relacionamentos, trabalho, muito menos maternidade. Vide posts anteriores com todos os desastres que já provoquei. Mas dessa vez, em face da experiência traumática que vivi ontem à noite,  tenho o dever de prevenir a humanidade sobre essa tragédia.


Se vocês são responsáveis por criaturinhas geniosas como o pequeno TAZ, evite brincadeiras perigosas, não corram riscos inúteis. Filhos pequenos são imprevisíveis. Assim, caro leitor cuidadoso, nunca, jamais, em hipótese alguma, repita o meu terrível erro e brinque de acampar montando barraquinha infantil em cima da CAMA.


Um pé-de-moleque para quem adivinhar o que aconteceu. Dica: imagine metade de dois corpos adultos saindo de uma tendinha de lona.


Os vizinhos que foram acordados com o calundu horroroso devem ter pensando de tudo inclusive  em  chamar o Conselho Tutelar e nos denunciar por maus tratos a crianças. Mas duvido que naquele momento passou pelas suas mentes o motivo real dos gritos histéricos do Taz.


Convencer seus pais a dormir com ele na sua claustrofóbica barraca de um metro quadrado. E conseguiu.

terça-feira, outubro 25, 2011

Para ser breve...


Marido e mulher precisam dialogar mais. Ok, então vamos lá.

Ela - Precisamos conversar.
Ele - Sobre o quê?
Ela - Eu não tou bem.
Ele - E eu tou pior ainda.
Ela - Se é assim, vamos pular do viaduto.
Ele - Prefiro aquele que inauguraram a semana passada.


Exagerei? Vamos tentar de novo.
Ela - Você não percebeu nada?
Ele - Não. O que é?
Ela - Eu não tou legal.
Ele - Quer que eu vá na farmácia?
Ela - Sim, compra 250 mg de sensibilidade pra você.


Um outra vez.
Ela - Não sei o que á acontecendo comigo.
Ele - Por que?
Ele. Sinto que estou deixando de fazer coisas importantes.
Ele - É verdade.
Ela - Tá concordando comigo?
Ele - Claro, o colarinho da minha camisa azul ficou sem passar.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Stand-by



Não é que fui internanda de urgência no hospital psiquiátrico mais maluco da cidade em consequencia de um surto pela proximidade do aniversário do Taz. O motivo é menos banal. Tou com visitas. Então, resistam que volto logo.

terça-feira, outubro 18, 2011

Anamnese * de uma mãe


- Olá! Quem é esse menininho?
- Taz para os íntimos.
- Que fofura!
- Fofo não é uma palavra que dura muito na sua presença.
- É tão enérgico assim?
- Depende do seu acesso. Há uma conexão wireless por aqui?
- Sim, mas não vai causar dano a ele.
- Meu medo é que ELE cause dano.
- Para segurar essa disposição tem alguém que te ajuda?
- A TV LCD de 32 polegadas.
- E as avós?
- Uma bem que gostaria mas perdeu a noção do perigo por causa da senilidade. Tem 80 anos.
- Que pena!
- E a outra mantém uma distância de segurança de 10.000 quilômetros.
- Por que você não coloca na escolinha?
- Ainda é o meu grande sonho de infância.
- Quantos anos ele tem?
- Dois o próximo mês.
- Vai fazer uma festinha?
- Uma coisinha simples.
- Qual é o Buffet?
- Não sei se você conhece, chama “Euzinha da Silva”.
- Hum... entendi qual é o seu problema.
- Já??
- Vou te receitar um lexotan para a noite e dois ansiolíticos para o dia.
- Obrigada doutora.




*Anamnese: entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente como ponto de partida de um diagnóstico.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Quando a desgraça não é pouca bosta, mas penico cheio.


Um dia na fase do desfraldamento, o seu filho vai sair, não necessariamente nessa ordem, cagando e caminhando por todos os cômodos da casa. A merda ficará espalhada no chão, no tapete, na cortina, no edredom  – Não, por favor, diga que no edredom não, NÃOOOO.
 Você vai cair num pranto de autocomiseração e enxugar as lágrimas no paninho de limpar os móveis antes de  ligar pra sua mãe e ouvir a ela dizer.
- Ai filha ainda bem que você ligou.
- Que foi mãe?
- O seu avô não toma banho há quatro dias.

terça-feira, outubro 11, 2011

Decifra-me ou devoro-te


Tempos atrás uma mocinha (que já não é tão inha assim) me escreveu dizendo que não iria me seguir porque era hiperfeliz no casamento, tinha empregada, carro 0, casa quitada, 2 cachorros com pedigree  e um estoque de prozac  - esse último item é por conta dos meus dotes adivinhatórios. Sem mágoas  Fofa, mas que fique claro: tem coisas que o cérebro não compreende, pra todas as outras existe mastercad.

Pra provar que sou uma pessoa generosa, vou te dar outros motivos para não gostar de mim.

Não sei passar corretivo nem fazer smoke eyes.
Não sei  combinar brincos com bolsa nem cinto com colar.
Não sei caminhar com salto acima de 2 centímetros.
Não sei  cantar, nem dançar muito menos nadar.  
As minhas coxas são feitas de gelatina sem sabor.
O meu cabelo assumiu um aspecto se  soltar eu mordo.
Os meus tetês depois da gravidez viraram dois ovos estrelados.
E minha ironia só tende a piorar com o tempo.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Os fins justificam os meios?


Dificilmente Maquiavel pensaria que sua frase seria empregada na relação mãe e filho. Mas em termos de ética e moral, o universo materno não deixa nada a dever ao mundo político. Há um conjunto de regras e princípios rígidos para ser uma mamãe-mais-que-perfeita - Deus que me defenda! Confesso, sou imoral, ilegal e contra-indicada por pediatra, psicopedagogos e avós. Será por conta das minhas táticas de guerra?

Propósito: Conseguir adormecer o Taz antes das 23:00hs.
Recurso: Usar de ameaça terrorista do tipo “se não fechar esses olhinhos agora te coloco no berço sem a girafinha”.

Propósito: Comer toda a papinha de verdura e frango.
Recurso: Suborná-lo com promessas de alguma vantagem imediata como levar ao parquinho se esvaziar o prato.

Propósito: Fazer a caca no vasinho pela manhã.
Recurso: Abduzir sua mente e dominar suas mãos com o novo celular do papai para mantê-lo sentado.

Propósito: Trocar de roupa sem choro nem lágrimas.
Recurso: Apelar para a terapia de regressão em que se hipnotiza a criança com perguntas sobre seu passado: onde você foi , com quem esteve, o que você comeu.  

Propósito: Liberar a mamãe dez minutos para lavar seu cabelo seboso.
Recurso: Induzir a um entorpecimento corporal por meio de uma mamadeira tamanho GG de leite e chocolate e um DVD do Patati Patatá.

terça-feira, outubro 04, 2011

Corra Bobry, corra


Quando leio a crônica semanal do meu escritor favorito, ele sempre diz de onde me escreve (não faz mal a ninguém pensar que sou a primeira destinatária de suas palavras). E é sempre de uma cidade encantadora, em um quarto de hotel aconchegante, numa manhã deliciosa. Para encher de graça o mais prosaico dos assuntos, tenho a impressão que ele labuta lentamente o texto e desfruta toda sua reserva de horas sem nenhum remorso.
 Enquanto isso, eu suo duas camisas para cavar uma horinha só pra mim. Mas por mais que corra Bobry, corra, não ganho o tempo suficiente para dedicar o prêmio ao prazer de escrever. Então a limpeza do banheiro é negligenciada, o almoço é o resto do jantar requentado e se o Taz ameaça de acordar, sapeco outro voto à santa padroeira das mamães blogueiras para que me ajude.  
No meio desse alvoroço, a inspiração que não é nem um pouco pudica vai pra casa da puta que pariu e não volta mais. Quem aparece é a tela de descanso do computador. Um fundo azul com uma frase entrando pelo canto direito. “Se você está me vendo é porque não sabe o que fazer”. Penso, logo concluo como sou invejosa do meu cronista favorito. Do seu talento e do seu tempo.  

quinta-feira, setembro 29, 2011

Taz' s converstion


- Sabe que a mamãe te ama muito?
- Si.
- E não tem nada a dizer em troca?
- Non. 

 

- Ai Taz, me machucou. Pede desculpas.
- Scupa mamma.
- Você vai fazer isso de novo?
- Si.



- Mamma unça, unça!
- Você que fez essa bagunça?
- Si.
- E agora?
- Mamma limpa, limpa.

terça-feira, setembro 27, 2011

Feliz Aniversário


Oito anos se passaram e onde estão as primeiras lembranças desse tempo? Não as encontro. Tenho pra mim que se trata de uma ausência intencional. Elas estão de mal comigo. E com razão. Fiz pouco caso do passado, nunca dispensei aos pequenos momentos o devido respeito e apreço que merecem. A que serve recordar como se costura o cotidiano? 
Alinhavamos a vida dando pontos largos mas fracos à dor e a tristeza, esperando que não durem muito, enquanto amarramos a felicidade com pontos miúdos e fortes para resistir uma eternidade. Já os momentos ordinários jogamos no balaio de retalhos com a vaga intenção de um dia utilizá-los como remendos.
E agora chamo pelas minhas reminiscências mais remotas. Talvez tenham se escondido em um dos buracos do velho sofá que abandonamos no sótão da casa nova. Durante muito tempo ele foi um dos raros ocupantes da sala de estar.  Mesmo sendo de dois lugares sentados, achávamos espaço para nossos corpos se deitarem e algumas vezes se amarem, outras só se pacificarem.
Talvez queiram só me dar um susto pelo meu comportamento displicente. Pode ser que ao destampar uma panela da cozinha eu me depare com uma delas e me surpreenda tanto quanto aquela noite que sem inspiração, sem jeito e sem grana, preparei o mais simples dos jantares. E ri com as contradições. - Boa, muito boa. – Pensei que não gostasse de feijão. Mas da sopa eu gosto.
Talvez sabendo que revivê-las me deixaria melancólica, as lembranças se adiantaram ao meu desejo e saíram furtivamente do meu horizonte. Não carece de serem caridosas comigo, pois não sabem que o desprendimento da generosidade me intimida? É como viver com alguém que não guarda rancor. Custei a não mais me acanhar com o descaramento que se seguia a troca de insultos em uma briga.
Tornem minhas memórias fujonas. Prometo ser mais zelosa e menos ingrata com cada uma. Prometo viver intensamente toda e qualquer banalidade.  E ainda prometo aos meus juramentos uma fidelidade só não maior que ilusão de cumprir uma promessa. Que tal? Não parece uma idéia tão boa quanto a de continuar casada os próximos oito anos?

quinta-feira, setembro 22, 2011

Senta que lá vem mais uma história




Até que enfim o Taz estabeleceu um pequeno ritual para suas fazer necessidades. Começa assim.
- Mamma, mamma. Caca, caca!
- Quer fazer a caca no vaso?
- Si.
Mais rápido que o Rubinho corro pro banheiro, tiro as meias, a calça, a fralda e deposito aquela bundinha de  200 gramas no redutor de assento da privada.
- Mamma, mamma. Afa, afa!
- Quer a girafa pra te fazer companhia?
- Si.
Vou ao quarto, pego a girafinha e trago pra ele. Quando me vê em pé na sua frente, se incomoda e faz mais uma exigência.
- Mamma, mamma. Senta, senta.
- Quer que a mamãe sente no bidê?
-Si.
Então nos vinte segundos seguintes eu espero ansiosa como uma mãe de miss na premiação e ele permanece todo cerimonioso com seu bichinho no colo. No final, desenrola metade dos 40 metros do papel higiênico, limpa a pistolinha do jeito dele, desce do vaso, fecha, sobe na tampa  e dá a descarga.
E a caca?
Fica pra depois, quando já vestiu a fralda, as meias e a calça.

terça-feira, setembro 20, 2011

Sem direito a abatimento


Se às quatro da manhã você acorda achando que já são sete, e passa as três horas seguintes insone, emendando um pensamento sombrio atrás do outro como num cordão de bandeirolas de festa junina, ou é uma criatura abestalhada que se priva do seu descanso em troca de  uma dor-de-cabeça para o dia seguinte, ou um prisioneiro da imaginação, um condenado a vida, com um pé na realidade e o restante do corpo no mundo da fantasia. Te posso conceder um desses atributos: Os dois não, porque aí se igualaria a mim.
Sofro de um pessimismo crônico, e se as coisas não estão bem, ainda tem espaço pra ficar pior. Com medo do breu da madrugada, a autoconfiança se esconde debaixo da cama, e  é difícil resistir à tentação  de viajar na maionese e vê o caldo entornando cada vez mais. Tudo culpa do carteiro. Coitado, seu crime foi entregar uma conta com excesso de zeros. A gordinha acabou não pegando o elevador para o andar dos débitos saldados porque o crédito da família já estava na sua capacidade máxima.
Paguei pra ver, e agora sei que casamento é mesmo a união de duas pessoas em busca de uma (dí)vida comum: a prestação do carro, o plano de saúde, a mensalidade da escola. Dá para tirar o sono da primeira à última noite do mês. Me sinto abatida, mesmo sem ter direito. Esse pertence a tantas outras mulheres que nem o usufruem porque a falta de tempo e  o acúmulo de infortúnios não deixam. Para vencer o derrotismo, só aprendendo a viver com duas camisetas e uma calça jeans. O que o marido acha da proposta?, Ok, se for da Levi's eu topo.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Longe de mim ser...



Não é que eu seja um atleta, é que não me cansaria morrer de velhice.
Não é que eu seja pessimista mas esse negócio de crise levou à falência minhas esperanças.
Não é que eu seja supersticiosa, mas se o horóscopo diz é um período favorável à mudança logo troco os móveis de lugar.
Não é que me faço de desentendida, só  finjo uma autêntica ignorância.
Não é que eu não seja simpátia, é que não acredito em simpatia para arranjar amigo.
Não é que me ache gorda, mas pesa sobre mim o fato de não ser magra. 
Não é que eu seja mão-de-finado, são os preços  que estão pela hora da morte.
Não é que eu não seja paciente, é que sala de espera me deixa doente.
Não é que faço crítica gratuita, são as pessoas que vivem dando defeito.
Não é que o texto me surpreendeu,  é que fiquei sem palavras para terminá-lo.

terça-feira, setembro 13, 2011

Um dia perfeito começa na noite anteior



Com o direito inalienável de não fazer nenhum tipo de serviço doméstico depois das sete da noite. E continua com os sucessivos e felizes acontecimentos.
Uma comida entregue em domicílio com pouco atraso, pouca caloria e pouco cara.
O  filho que às 20:30 te abraça e diz sono mamãe! e adormece sem chás de camomila ou  chantagens emocionais .
A televisão caridosa passando um programa divertido com histórias inteligentes sem apelação  de bundas e peitos.
A parca sensibilidade do vizinho funcionando o suficiente para entender o que é perturbação do sossego alheio.
O seu marido dizendo que  te deseja como da primeira vez mas que se você quiser somente dormir ele vai compreender.
Os lençóis trocados naquele dia e exalando a essência de lavanda que a sua mãezinha  te deu.
O calor lá fora fazendo companhia para os pernilongos e dentro  um rigoroso  frescor de 23,5°.
Você lembrando de ter uma conversinha a sós com Deus para agradecer  todas as bênçãos mesmo Ele achando estranho você não tá pedindo nada.
O sono chegando pontual e você o recebendo de braços abertos, sem ânsias e preocupações pelo amanhã.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Parece piada...



O Taz está dando os números. No bom sentido, mesmo que a expressão dare i numeri  em italiano queira dizer pirar, enlouquecer, ainda não é o caso. Ele só está falando 1, 2, 3, 4... e vai até dez. Aprendeu com a escada daqui de casa. Cada vez que subíamos ou descíamos contávamos os degraus. São 20, mas é a primeira metade que lhe interessa, o resto não conta. Depois passou para o teclado do iphone e graças a uma aplicação já sabe associar o som ao seu respectivo algarismo.
E daí?
Daí que toda mãe é igual quando o assunto é puxar conversa “Você não sabe o que esse menino fez hoje.”, “Isso não é nada, comparado ao que  meu filho faz todo dia”. É um saco sem fundo a bolsa com histórias da série Criança Tem Cada Uma. Pois bem, a minha é relacionada com a novíssima habilidade matemática do Taz. Sendo um ser humano pouco modesto (lembram do papai, papai, filma, filma?) , ele quase não gosta de se aparecer. Assim quando saímos de carro, repete todos os primeiros números das plascas de limite de velocidade.
- Três, três.
- É, três de trinta quilômetros por hora.
- Cinco, cinco.
- É, cinco de cinquenta quilômetros por hora.
E por aí vai, avisando quanto o carro deve correr. Na última viagem que fizemos não foi diferente. O percurso deveria durar umas duas horas debaixo de um sol implacável e um ar condicionado bem ordinário. Já dirigíamos há mais de 30 minutos, quando o número 7 engasgou na goela do Taz como um risco num disco de vinil.
- Sete, sete.
- É, sete de setenta quilômetros por hora.
- Mamãe, mamãe. Sete, sete.
- Mamãe já ouviu.
- Sete, sete, sete, sete.
O loop numérico não parava. Sete, sete, sete. A família começou a se inquietar. Estaria surtando de vez? Não, ele queria só uma coisa: água.
- Sede, sede, sede.

segunda-feira, setembro 05, 2011

O choro sem lágrimas



Pense numa pessoa fazendo yoga e repetindo o mantra aaa uuu mmmm. Agora suma com essa pessoa, coloque o pequeno Taz no meio da história e substitua o mantra por êêêêêêêê. É esse o ritmo sonoro do lamento pungente que afronta o silêncio das nossas madrugadas.  O famigerado choro sem lágrimas. De todas as manhas, a mais safada. Há um efeito devastador no sono de quem ouve, mas quem a pratica não se digna a abrir os olhos.
Acontece na calada da noite, no melhor dos sonhos, quando atendendo ao chamado de Orfeu, o corpo repousa e o cansaço começa a sair de fininho. Então ouve-se um chamado para a vigília, um Despertai-vos! na forma melancólica de seis ês seguidos de uma breve pausa para respirar. Os pais acordam assustados e pensam que não é um comportamento normal. Já o pediatra diz que  o menino não tem nada. ”É somente a sua forma de se expressar. Mas alguma pergunta idiota ou posso chamar o próximo paciente?”

Numa noite de sorte, o pavoroso gemido acaba com um confortante bocejo e um retorno ao sono, em outras se prolonga por torturantes minutos. No quarto ao lado começa a disputa de quem se esquiva melhor de suas obrigações.

-  Vai lá.
 - Eu já fui ontem.
- Mas foi só uma vez.
- E daí?
- E daí que anteontem eu fui duas vezes.
- É mas ontem eu tive de trocar a fralda.
- E daí?
- Daí que perdi 10 minutos nessa tarefa.
- Azar o seu.
- Não importa, é a sua vez.
- Como sou cavalheiro, eu cedo pra você.
- Agora preguiça tem outro nome.

- Êêêêêêêêê...

terça-feira, agosto 30, 2011

Dez questionamentos para quem quer se dar bem na vida



Se o dourado atrai abundância financeira, quanto poderia ganhar pintando uma casa de 100 metros quadrados?
Se uma fonte de água absorve as energias negativas, deveria cavar um poço até a China para espantar a urucubaca?
Se usasse o meu poder de visualização criativa e mentalizasse uma mudança, amanhã acordaria mais magra, mais jovem e de escova permanente?
Se  acrescentasse uma outra letra ao meu nome, somasse com a minha data de nascimento e dividisse pelo dia do casamento, poderia multiplicar os zerinhos da minha conta corrente?
Se para ter sucesso um alto  Q.I. é o caminho, um alto Q.E. o atalho, um alto Q.A. (Quociente de Asneira) é a porta de saída?
Se devo ativar as energias positivas para obter prosperidade, onde fica o interruptor?
Se O Segredo para conseguir algo é desejá-lo, por que não ganhei uma bolsa Louis Vuitton no meu aniversário?
Se para subir na vida é preciso coragem, não decola quem tem medo de altura?
Se os homens são de Marte, e as mulheres são de Vênus, meu casamento é de outro planeta?
Se uso as 5 técnicas  da persistência, evito os 6 erros do fracasso,  sigo as 7 regras de ouro da felicidade, prático os 8 hábitos de uma vida saudável, cultivo os 9 motivos  para ser otimista  e me inspiro nos  10 mandamentos do vencedor, consigo escrever um livro com os 11 conselhos de um bom mentiroso?

quinta-feira, agosto 25, 2011

Muito além das palavras



Façamos o seguinte: um diletante da psicologia infantil propõe observar o pequeno Taz nas suas façanhas cotidianas, que tipo de comportamento ele descreveria no seu relatório?


É um dedo-duro da própria família.
- A mamma fá baba!
(Denunciando a mãe que está depilando a perna com o prestobarba do papai.)


Há um gosto pelo protagonismo.
- Papai, filma, filma!
(Dando ataque de estrelismo para seu pai tirar uma foto.)


Indícios de ser um mentiroso incorrigível.
- Tá fazendo a caca?
(Se espremendo todo.)
- Noooooon.


Traços distintivos de um profissional da adulação.
- Tanto, tanto!
(Abraça a mãe e tenta repetir a frase "Te amo tanto, tanto" pra poder pegar o celular.)


Por fim, é um déspota em miniatura.
-Meti, meti. Fefeti, fefeti.
(Exigindo imediatamente o espaguete no seu prato.)

terça-feira, agosto 23, 2011

Por que continuamos desempregadas?


Resolvi propor uma questão que atormenta o meu espírito: por que continuamos desempregadas? Conheço um comboio de gente  que é um verdadeiro talento vagante, carregada de disposição, um artigo de luxo, mas estão ali com a mão no bolso vazio, assobiando a canção ninguém me quer, ninguém me ama. O que está acontecendo com o mundo?


Ou melhor, o que está acontecendo com a seção de classicados. Saca só esse anúncio. O candidato ideal para nossa vaga deve possuir os seguintes requisitos básicos: fluência  em inglês  e espanhol mas disponível para transferir-se a Salto Grande, ser experiente mas ao mesmo tempo jovem, ter grande inciativa pessoal e capacidade  pra trabalhar em grupo, tolerância ao stress mas também criativo e dinâmico.


É o meu perfil, posso até passar por uma garota de 24 anos. Olha, nenhuma ruga!


Delírios à parte, é assombroso participar daquela fatia azul clarinho do bolo de estátística sobre o desemprego do IBGE.  Há um grupinho ali de deprimidos, fracassados, pessimistas e potenciais indolentes que me tenta. Um vacilo, e já estou puxando conversa com eles e pedindo pra fazer parte do clube. A dureza da vida de desocupada também faz pensar em soluções pouco decorosaas. Outro dia me veio a idéia de colocar um vestidinho rosa e chamar um bando de energúmenos para me vaiar.


Mas se refletirmos bem, o desemprego traz algumas vantagens para o ser humano. A gente se  torna mais saudável e menos materialista. Vamos ao shopping, caminhamos quilômetros e não compramos nadinha. Brigada querida, tou dando só uma olhadinha. Sobra mais tempo para ficar com os filhos. Que delícia ser mãe 24 horas por dia! Achou encantadora a minha declaração? Então venha passar uma tarde com o Taz.


Não que eu tenha algo contra a ociosidade, desde que ela seja remunerada. Tanto pra não fugir do tema, num matrimônio de escassa liquidez, o único triângulo bem-vindo é o salarial: um é pouco, dois é bom, três é excelente. Sem querer querendo adotar um tom cínico a nossa conversa, mas trabalho e dinheiro amarram um nó cego nos laços matrimoniais. Trocadilho feroz!


E por último, a ocupação de uma pessoa serve também pra alimentar uma rede de favores no círculo familiar. Que o diga uma garota que conheci enquanto esperávamos uma entrevista de emprego. Tempos atrás, ela ouviu de sua mãe a seguinte crítica quando soube a profissão do namorado.


- Um escritor minha filha? Mas sua prima Carol já é casada com um jornalista. E depois que proveito se pode tirar de um parente nesse ofício? Se fosse pelo menos um dentista, um advogado, até mesmo um fiscal de trânsito tem sua utilidade.


Entre tantos dilemas, essa colega de desemprego tenta superar pelo menos o da serventia. Agora tô saindo com o tipo ideal, cedo ou tarde todos vão precisar de um assim. E em que ele trabalha? É agente funerário.

quinta-feira, agosto 18, 2011

Não foi nada engraçado



São momentos assim que você pensa nas formas mais bárbaras de vingança e o pior do seu caráter vem à tona, aquilo do qual você não se orgulha, mas sabe que existe. São momentos assim que você se sente menos cristiana, à favas com vão se os anéis e ficam-se os dedos, eu quero os meus pertences que comprei com suadas prestações a perder de vista. São momentos assim que você sente a insegurança bater na sua porta não para uma visitinha rápida, mas para uma hospedagem permanente.

É amigos, fomos roubados. Não foi a primeira vez, e talvez não seja a última, mas o espanto e a raiva não se desgastam com a frequência. Quando te subtraem uma coisa que conseguiu ter com o esforço e o sacríficio de tempos, levam embora também uma parte da sua inocência e te deixam com um gosto de "como fui idiota em não fechar aquela janela com concreto armado".Você se nega a crer na miserabilidade de quem praticou o ato, não são desgraçados. São só canalhas.

E depois vendem um portátil a 100 real com dentro bens de valores inestimáveis: as fotos com as recordações mais felizes da sua vida, uma dissertação de mestrado que consumiu quase toda a sua existência para ser escrita e todo o histórico contábil de uma empresa.

Não foi azar, porque ninguém aposta em ganhar ou perder a sua tranquilidade. Essa de querer se responsabilizar pelo ocorrido é um processo de culpabilização muito mal-disfarçado, a ação não começou em você, mas partiu do outro. Foi vil, covarde e muito, muito sem graça.

terça-feira, agosto 16, 2011

O jogo da verdade


Minha paciência é um paciente em estado terminal. Morre, não morre. O pouco dessa virtude que tenho emprego-a integralmente na convivência com o pequeno Taz. Há um temperamento singularmente frenético que não se conhece caso semelhante nas duas árvores genealógicas que lhe deu origem. Caso a cegonha tivesse um serviço de atendimento ao consumidor já teria sido acionado para questionar sobre desvio na entrega de suas encomendas. Talvez neste momento há uma família de lutadores de wrestling se lamentando de onde seu filho de 21 meses herdou tanta mansidão.


O Taz parece ligado a um amplificador de alta potência, e em tudo o que faz usa o limite máximo de sua energia. Até mesmo quando quer se expressar. Outro dia retornou da casa da avó com uma palavra nova que ninguém conseguia identificar.
- Cocótelo, cocótelo.
- Que bonitinho, cocótelo pra você também.
- Cocótelo, cocótelo.
- Agora chega, é hora da papa. Olha a cenourinha.
- Cocótelo, cocótelo.
- Amor, liga pra sua mãe.

Sabíamos que aquela repetição poderia durar ad eternum se não adivinhássemos o seu significado. E não adiantava trapecear, o jogo da verdade só terminava com a resposta certa e uma indecorosa risada. Então...

- Não tinha um nome mais difícil para ela ensinar? Tipo axinomancia.
- Eles estavam no quintal quando apareceu um.
- E aí Taz, o que foi que você viu na casa da vovó hoje?
- Cocótelo, cocótelo.
- Ah, um helicóptero?
- Heheheheheh!!!

sábado, agosto 13, 2011

As dez coisas que mais gosto no meu papai



1 - Quando fazemos coisas escondidas da mamãe como me deixar guiar o carro dentro da garagem.

2 - As suas definições sobre mim: "é como o ponteiro dos segundos, não para nunca."

3 - Os passeios  no Carrosel do parquinho até ele querer vomitar.

4 - As palavras novas que me ensina quando tá nervoso: &@#?#!%.

5 - Quando caçamos pernilongos ele sempre me deixa segurar o mata-mosca.

6 - O seu I-Phone e todas as aplicações que eu posso cancelar.

7 - A sua cara de sono às três da madrugada quando eu  acordo e a mamãe finge que tá dormindo.

8 - O seu espírito empreendedor: "se me pagassem 1,00 real por cada kilo do seu cocô já seríamos milionários".

9 - As torres da Lego que levamos 30 minutos para construir e 3 segundos para destruir.

10 - Mas o que eu mais gosto mesmo é o seu nome, PAPAI, como aquele do céu.


Ass.: Taz, 1 ano e 9 meses 


terça-feira, agosto 09, 2011

A paixão segundo Bobry


Não era muito grande, mas o bastante para atrair a curiosidade de longe, e o nojo de perto. Aconteceu de manhã quando fui molhar as flores do jardim e vi uma coisa estranha no vaso da begônia. Afastei um pouco as folhas e percebi horrozida que era uma lesma. Talvez seja o animal mas dócil do planeta mas na minha imaginação é o mais repugnante. A concha era de cor marrom com uma faixa amarelo-escura em espiral e de dentro dela saía lentamente um corpo esbranquiçado e de consistência muito mole. A cabeça era ainda mais delicada com suas finas anteninhas. Toda aquela fragilidade me causou uma nauséa instântanea.

Quisera eu ser profunda como a Clarice e poder descrever como a visão daquele molusco refletiu o simulacro da minha existência. Quisera eu ter vivido naquele momento uma experiência como a da senhora que mata uma barata no quarto da empregada e descobre a sua outra pessoa, "a incógnita e anônima - e era o que provavelmente me dava a segurança de quem tem sempre na cozinha uma chaleira em fogo baixo: para o que desse e viesse, eu teria a qualquer momento água fervendo.*" Mas não foi bem assim.           

O máximo da inspiraçãp foi correr a procura de algo que a desgrudasse da minha planta. Mas quando voltei ela já não estava mais ali. Será que tinha sido uma alucinação? No mesmo instante ouvi o Taz atrás de mim. "Mamma, mamma". E quando me virei, entendi onde tinha ido parar a lesma. "Mamma, bisso, bisso". O bicho repousava inocentemente na palma da mão do meu filho de 20 meses. Senti o perigo imediamente e gritei.

- NÃOOOOO!

Era tarde demais. Os dedos começaram a se fechar e o pequeno polegar do Taz se enfiou dentro do orifício da concha esmagando o corpúsculo viscoso.

Coitada de mim. Qualquer apreciação que pensava em fazer sobre meu outro "eu", morria ali mesmo.



*Referência ao livro "A paixão segundo G.H", considerado o mais imporante de Clarice Lispector. É a história de como o encontro de uma mulher com uma barata fez desmoronar suas convicções sobre ela mesma.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Manifestação de um jovem artista


Já falei aqui sobre a origem de uma idéia, mas falta dizer como elas podem se tornar pegajosas e obsessivas. Se introducem no meio de uma conversa, se misturam com a sua comida, te acompanham ao banheiro, entram com você no box e te fazem esquecer de lavar as costas. Se escondem debaixo do travesseiro, te molestam para que não durma, e quando você dorme, elas se enfiam nos seus sonhos e se travestem de outras idéias, mas de uma forma muita tosca, como para dizer "até um tonto saberia que sou eu".Quando aparece um tipo assim, não vejo a hora de me ver livre. Então escrevo.

Tudo começou com o desesperro de tirar uma mancha. Não vai demorar muito pra começar a caçoar das minhas declarações. "Mais uma dona-de-casa que usa a internet para expor suas percepções e dúvidas acerca dos afazeres domésticos".  Mas ninguém usa da mesma severidade para criticar aquelas senhoras que aparecem na TV segurando uma caixa e jurando por todos os santos  que o seu sabão em pó é o melhor. A mim, nunca enganaram, vinte anos atrás eu já pensava: "Nossa como elas  se vestem bem para lavar roupa. Não se parecem em nada com minha mãe ou minhas tias".

É o típico discurso de uma frustrada. É verdade. Sinto que falhei duas vezes. A primeira em não conseguir conter o arrebatamento artístico do pequeno Taz quando conheceu a caneta Bic e quis expressar seu dom da pintura justamente na poltrona de couro branco. E a segunda quando me deixei levar pelo otimismo e acreditei que era possível limpar qualquer coisa com os produtos caríssimos da publicidade. Agora sei que nem mesmo ácido muriático dissolve aquela maldita tinta.

E no meio disso tudo qual é o pensamento obsessivo que me ronda: "Esses rabiscos aí são só o começo."

quarta-feira, agosto 03, 2011

Por que alguns restaurantes proibem a entrada de crianças?

Quase nunca faço isso, mas hoje venho dar explicações sobre o post anterior. Realmente a história aconteceu . Depois de meses de ponderação, a família resolveu arriscar e saímos todos os três para jantar fora. Como sempre estávamos receosos,  "Vai ver que ele se comporta mau porque não é acostumado a ir a restaurantes", "Pode ser, vamos tentar". E assim, passei a noite falando com as paredes e o meu marido correndo atrás do pequeno Taz para que ele não causasse danos a si e muito menos aos outros.

O que dá origem a segunda verdade da história, realmente existem restaurantes, assim como hotéis e companhias aéreas que só aceitam clientes acima de 18 anos. São  os chamados "adults only". Talvez no Brasil isso não seja muito comum porque os pais têm mais chance de deixar o filho com um parente, com a babá ou com outra pessoa de confiança para poder sair à noite num programa a dois. Mas na Europa e Estados Unidos não é barato nem fácil encontrar esse alguém disponível. Então acontece de se ver nos restaurantes mais caros da cidade carrinhos de bebês sendo empurrados entres fileiras de mesa com toalhos de linho e arranjos de flores do campo. Na melhor das hipóteses eles dormem, na pior vocês podem imaginar a satisfação dos outros frequentadores.

Então, se em uma viagem internacional você topar com um desses adesivos na porta de entrada saberá o significado:




Alguns são mais diretos e escrevem: "Não se toleram crianças gritando" ou "Nós amamos as crianças, mas as mantenham nas suas mesas".




Sobre o assunto um jornalista italiano escreveu o seguinte : "é um problema velho que nunca sai de moda", e acrescenta que a culpa não é dos bambini que não foram feitos para estarem por horas sentados à mesa, mas sim dos  pais que agem como se estivessem na sua própria casa. Confesso que também pensava dessa forma antes de ser mãe. Acreditava que o comportamento vivaz (bom esse eufemismo) do filho era fruto de genitores mal-educados e me perguntava "Mas por que não acorrentam essa peste no pé da cadeira?". Simplesmente porque podemos ser denunciados ao Conselho Tutelar.

Como a condescendência com a algazarra infantil não é uma qualidade que as pessoas levam na bolsa quando saem para se divertir e não se vê amiúde locais com áreas de playground onde podemos descarregar os filhos, temos duas alterntivas: ou pedir uma pizza ou sair e se benzer dos maus-olhados.
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